20110726

23o. dia - 19.09.09 - Santiago

Chegamos a Santiago pela manhã. Mochila a postos, pegamos metrô até o bairro onde ficava o Eco Hostel, que seria nossa próxima moradia. Confesso que sinto um certo orgulho em carregar aquelas mochilas que mais parecem a própria casa. É o selo de quem está viajando, e os olhares que fingem estranhar a bagagem sentem, no fundo, uma vontade de trocar de lugar. Pelo menos é o que eu sinto quando estou no metrô indo para o trabalho e encontro alguém de mochilão das costas. 
Estávamos numa cidade grande, completamente diferente de San Pedro. Talvez a mudança serviria para nos ambientar novamente ao barulho dos carros, à movimentação das pessoas, a uma cidade grande. A viagem já estava anunciando o fim. Conhecemos uma brasileira dentro do metrô - sim, os brasileiros estão por toda parte!
O problema é que não tínhamos o endereço certo do hostel e por ali ninguém parecia conhecê-lo. A solução foi deixar as bagagens com um grupo, que ficou esperando num posto de gasolina, enquanto o outro andava pelas redondezas à procura do nosso lugar. Mas não éramos os únicos a estar perdidos: um gringo, que comemorou bastante a independência do Chile e voltava agora das farras, nos perguntou se tínhamos passado por algum hostel com uma bandeira na frente, porque ele não lembrava o nome do lugar onde tinha se hospedado. O detalhe é que todas as casas e estabelecimentos, nessas épocas, eram obrigados a pendurar a bandeira do Chile. No início, achamos que era puro patriotismo, mas depois de encontrar algumas bandeiras pretas ao lado destas, descobrimos que mais isso: quem desrepeitasse a ordem, receberia uma multa. Carol e Edu finalmente conseguiram achar o Eco Hostel e fomos logo fazer o check-in; quanto ao gringo, não soubemos como ele se virou.


Os casais preferiram alugar um carro para ir conhecer as cidades próximas. Eu e Filipe ficamos em Santiago e tivemos a boa surpresa de encontrar, num dos parques mais famosos, uma festa pátria em grandes proporções. Desfiles militares, figuras políticas (deu até pra ver de longe a presidente Michelle Bachelet), apresentações aéreas dos esquadrões, famílias fazendo pic-nics na grama, crianças brincando, música e comes e bebes. Foi lá que descobrimos um maldito canudinho de chocolate, que eu comeria até o resto da viagem.


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