20110726

20o. dia - 16.09.09 - San Pedro de Atacama/Valle de la Luna

Mais um dia de passeio pelo Atacama, dessa vez para conhecer o Valle de la Luna. O choque entre placas tectônicas, há milhões de anos atrás, aliado a processos erosivos, desenharam as formas que assistíamos ali: imensos paredões e cadeias de montanhas. Chegávamos com cuidado à beira para ter a dimensão dos abismos que se formaram - algo de uma indescritível grandiosidade. O nome do vale era justamente porque essas regiões lembravam o solo lunar. Descemos e caminhamos pelas entranhas do vale, inclusive por uma caverna. Os guia orientava nossos passos, garantindo a saída pelo outro lado. Confesso que fui espetada por uma pontinha  de receio quando as passagens começaram a ficar menores e também mais escuras, mas logo estávamos de volta, respirando ares livres. 


A promessa era de que assistiríamos ao pôr-do-sol mais bonito de nossas vidas. E isso também foi verdade. Subimos uma enorme duna pela parte lateral, preservando todo o resto (que mais parecia um lençol esticado, de tão liso). Fomos alertados que era proibido fazer o que todos ali gostariam:  sair marcando os pés pela areia numa corrida louca. Isso poderia render aos atrevidos uma multa. Claro que a pena não foi suficiente para barrar todo mundo: bem lá no meio, dava pra ver os furinhos de alguma perna subversiva. Pelo menos, alguém matou a vontade. Caminhamos pelas montanhas até chegar à extremidade. O entardecer parecia lançar um véu branco sobre o solo e no horizonte o céu ia mudando de cor. Foi uma das coisas mais bonitas que já presenciei.



Conhecemos duas chilenas muito simpáticas que me salvaram do frio com a gentileza de emprestar um casaco. Elas faziam parte do nosso grupo no jipe e assim foi possível trocar mais palavras. Eram mãe e filha, que compartilhavam a experiência de conhecer novos lugares. Achei bonito que a mãe tivesse a preocupação de incluir as viagens no convívio (e certamente na educação) da filha. Fiquei envergonhava de saber pouquíssimo sobre cultura musical de seu país, enquanto ela me enumerava os cantores brasileiros que ouvia. Percebi que conhecemos muito pouco dos nossos próprios vizinhos.
À noite, fomos à tradicional (pois já devia ser a terceira vez que íamos lá, em três dias na cidade) pizarria da qual infelizmente esqueci o nome, mas que fez a alegria dos estômagos famintos. Gerente simpático, preço camarada e pizza boa demais!

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