20110726

17o. dia - 13.09.09 - Deserto do Atacama/San Pedro

Era isso: não tinha dado a devida importância aos acessórios que protegeriam das condições inóspitas dessa viagem e ninguém sai imune de subestimar a força da Mãe Natureza. Na verdade, talvez tenha me preocupado com os acessórios errados: gastei uns bons dólares em La Paz, comprando uns óculos escuros que, segundo relatos, seria imprescindível para a claridade do Salar, e pouco o usei. Mas as luvas, que deveriam estar comigo como uma segunda pele, não sabia onde estavam. Entramos no jipe azul para começar o passeio do dia, às 05:30, e de tanto frio não sentia minhas mãos. Ou as sentia dormente, ou as sentia doendo. Muito. Estava muito frio. Perguntamos a nosso guia qual era a temperatura e ele respondeu que estávamos a consideráveis graus abaixo de zero. Foi o momento mais gelado de toda a viagem. E, por surpreende que possa parecer, visitaríamos muito em breve um lugar de águas ferventes. Os geiseres, que formavam um grande véu de vapor, também empesteavam o ar com um forte cheiro de enxofre. 


Chegamos a um novo ponto de parada: dessa vez, era possível entrar nas águas, quentes de sair fumacinha. Já avisados, fomos com roupas de banho por baixo dos tantos casacos e calças e, para terminar o sofrimento de uma só vez, nos despimos rápido e mais rápido ainda entramos no pequeno lago. Os dois gringos que estavam sentados na beirinha, apenas com os pés na água, certamente admiraram a ousadia do nosso grupo - mas quem tá no deserto, é pra se molhar. Uma espécie de banheira de hidromassagem natural - de nossa parte, não havia problema em ficar bastante tempo ali. E de fato ficamos mais que o combinado, mas era preciso seguir. Outro sofrimento pra sair e colocar a roupa, e dessa vez devemos ter sido mais rápidos ainda. O enjôo continuava sendo uma visita incoveniente, mas depois de um remédio (talvez o único que tomei de todos que levei) acabei me sentindo melhor.
Era hora de nos despedirmos de nosso guia para continuar o percuros em outro transporte, no qual atravessaríamos a fronteira Bolívia-Chile. Era curioso encontrar as mesmas pessoas em lugares distintos - viajantes que faziam o mesmo trajeto. Um deles, avistado de dentro do ônibus, foi uma grande surpresa: era o Argentino de Córdoba, andando com sua mochila nas costas para cruzar a fronteira a pé!



E então chegamos a mais um destino - San Pedro de Atacama, uma cidadezinha muito charmosa, com ares de interior e ilhada pelo deserto. Achamos um hostel, terminamos o almoço e quem encontramos, chegando na cidade (e nem posso mais dizer que foi surpresa)? O Argentino, que estava a procura de um amigo que fez pela internet e que o abrigaria aquela noite. Encontrado o amigo, seguiu seus caminhos, que então não mais se cruzaram com os nossos. Imagino que ele ainda esteja andando por aí.
Aproveitamos a noite para provar a cerveja local, conversar e dar uma volta pela cidade. Um grupo de sopros, corda e percussão, depois te provar algumas muitas cervejas, tocou um som muito parecido com os das nossas festas juninas. E isso rendeu uma mini-pseudo-quadrilha, mas só a gente participou. Ops, essas vergonhas é melhor deixar apenas pra quem viu.


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