20110726

19o. dia - 15.09.09 - San Pedro de Atacama

Contratamos um pacote de passeios pelo Atacama (4 passeios por 40.000 pesos), dessa vez partindo do Chile. O café da manhã de hoje seria tomado em um lugar muito diferente: em meio às diversas cortinas de vapor produzidas pelos geiseres. Era um imenso campo de onde a fumaça surgia de pequenas aberturas no solo. De longe, era possível admirar o que mais se destacava, lançando a água a metros e metros de altura. O calor dessas águas serviam para esquentar a outra, que serviria para o chá. Nosso guia contou o segredo: mergulhava o recipiente num desses vãos ferfentes. Dava até para cozinhar ovo, segundo ele. Tomamos banho em outra dessas piscinas naturais, mas nada que se comparasse à hidromassagem do passeio anterior.


Continuamos a nos surpreender com as belezas do deserto e as histórias das pessoas. No caminho para continuar os passeios da tarde, o carro parou na frente de um camping para pegar mais dois passageiros - brasileiros. Era um casal de namorados que faziam faculdade de biologia e resolveram tirar umas férias, pegar um empréstimo e fazer o dinheiro durar até o último níquel-peso-centavo ou o que valesse. Estavam acampados, tomando banho gelado (não acreditei) - e tudo isso com muito bom humor - para fazer a viagem esticar mais alguns dias. Nos mostraram as fotos de uma praia, onde ficaram acampados no Caribe, ocupada por Leões Marinhos. E eles lá, no meio, as únicas pessoas. Disseram que ficaram com medo no início, mas depois se acostumaram com os animais e eles, com o casal. Essa experiência realmente seria difícil eles terem na faculdade. 
Paramos para conhecer (e, é claro, testar) a famosa lagoa salina que não deixa ninguém afundar. Mais uma vez de roupas de banho, mais um vez com muito sofrimento - estava frio, frio. As águas salgadas produziam esse interessante efeito: mergulhávamos, mas éramos novamente devolvidos à superfície. A pele ficou coberta por uma camada branca de sal e, se não lavássemos logo com água doce, a sensação era de um ressecamento extremo que fazia doer. Os bravos arriscaram um mergulho no outro ponto de parada: los ojos del desierto, dois poços naturais, um ao lado do outro, de águas bem geladas. O clima de nuvens e o entardecer não ajudaram muito, mas depois que nossa nova amiga tomou coragem e pulou, os meninos sentiram-se na obrigação de honrar o gênero. Eu fiquei lá em cima, só dando força para os que cogitassem o feito. Terminamos o passeio com um belo café da tarde, com delícias numa mesinha e o céu em degradê.

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